2016: o ano da retoma do mercado de trabalho

4 de Abril de 2016

2016: o ano da retoma do mercado de trabalho

O último trimestre de 2015 permitiu sustentar a ideia de que se torna necessário nas empresas passar uma imagem de maior otimismo e arrancar com projetos há muito pensados, mas em standby pelo extenso período de crise que vivemos.

A nível nacional, o setor de engenharia, pela sua enorme diversidade é controverso, apresentando áreas com forte crescimento, e outras com estagnação e mesmo decréscimo de projetos e consequentemente procura de profissionais.

Mantendo uma tendência positiva já patente nos últimos anos, o setor da indústria é aquele em que se verifica crescimento e dinamismo, assente no peso nas exportações que implica o reforço estratégico das funções de produção, qualidade e manutenção como resultado do aumento de capacidade produtiva instalada, aumento de linhas de produção e investimento técnico nas unidades fabris.

A área das compras pela sua intervenção direta nas poupanças de custos das empresas continua a assumir uma enorme importância em todo o processo produtivo.

Também neste setor 2016 será caracterizado pelo investimento em várias novas unidades fabris por parte de grupos nacionais e internacionais em Portugal tanto a sul como a norte em setores como o aeronáutico, automóvel, plásticos e moldes, alimentar e tecnológico.

Pela sua especificidade geográfica, estes investimentos serão cruciais na captação de postos de trabalho tanto ao nível indiferenciado como altamente qualificado que terá como consequência o crescimento económico da sua zona de implantação, determinantes em zonas como o Alentejo ou a zona Centro Norte onde parte destes investimentos se irão verificar.

Alinhadas com este crescimento da indústria, a logística aparece como uma área de destaque ao nível do reforço das posições de gestão dos armazéns, gestão de stocks e funções de supply chain.

Com o aumento das exportações sentimos ainda uma constante na solicitação de perfis de gestores de operações com experiência em transporte e tráfego marítimo e terrestre.

O caso da construção merece a sua atenção dado que a par da estagnação que se manterá em 2016 em Portugal, assistimos a uma queda acentuada dos projetos também em Angola e Moçambique que nos últimos anos absorveram parte dos profissionais neste setor.

Geografias como a América Latina, o Gana, Ruanda e Médio Oriente ganham assim relevo em 2016 na procura destes profissionais.

Em Portugal destacamos a solicitação de engenheiros projetistas e arquitetos para gabinetes de projetos com concursos nas geografias acima mencionadas.

Com o mesmo dinamismo há que destacar o setor imobiliário que manterá a sua tendência de crescimento em 2016 com o aumento de investimentos imobiliários no setor do turismo em Portugal

Segundo o Diário Imobiliário, 2015 foi marcado pelo maior número de negócios no setor imobiliário com um volume de investimento de 1,2 mil milhões de euros que protagonizaram as maiores operações dos últimos 10 anos em Portugal.

Dando um vislumbre de um novo ciclo, o setor da Agricultura aparece novamente na análise das tendências de mercado, face ao franco crescimento a que assistimos neste setor, com a intenção de cada vez mais empresas de bens de grande consumo e/ou distribuição manterem um ciclo fechado de venda que vai desde a produção à distribuição.

Aqui cresce a procura de profissionais que aliem um elevado conhecimento técnico e operacional, a competências claras de gestão que permitam a obtenção de produções intensivas de maior volume e qualidade e com as mínimas perdas possíveis por fatores aparentemente controláveis.

Ainda que todas as projeções apontem para uma queda da taxa de desemprego em Portugal a OCDE perspetiva ainda assim que em 2016 a taxa de desemprego se manterá nos dois dígitos e que cerca de 12,3% estará à procura de trabalho.

Este cenário torna cada vez mais difícil para as empresas e para os profissionais planearem as suas intenções pessoais perante as permanentes mudanças e imprevisibilidade deste mercado em que vivemos atualmente.

Ganham assim cada vez mais as competências pessoais – soft skills – na necessidade cada vez maior de trabalhar a mudança e adaptação rápida, a resiliência, a resistência ao stress e a auto motivação, neste jogo de esforços comum por parte dos intervenientes do mercado – empresas e candidatos em contrapor todas as tendências quantitativas a uma capacidade de visualização de um futuro auspicioso ao mercado de engenharia.

“A esperança é cheia de confiança. É algo maravilhoso e belo. É o motor da vida. É uma luz na direção do futuro." (Conrad de Meester)”

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